Tratamento de áreas cutâneas por meio da E.E.A.V.
A estimulação elétrica de alta voltagem (E.E.A.V.) é uma modalidade terapêutica muito utilizada pelos fisioterapeutas em alguns países ao redor do mundo. Os efeitos proporcionados por essa forma de estimulação são: modulação da dor, regeneração tecidual e controle de processo inflamatório, edema agudo ou residual.
Nessa série de cases apresentaremos os efeitos proporcionados pelo uso da E.E.A.V. no tratamento de úlceras cutâneas crônicas de diferentes etiologias: queimadura, insuficiência arterial causada por diabetes, insuficiência venosa e úlcera de decúbito.
Todos os casos são reais e foram produzidos na clínica escola de Fisioterapia da Universidade São Francisco de Bragança Paulista-SP pelo Ft. Ms. Rafael Davini.
Independentemente da etiologia da lesão alguns princípios básicos regem a utilização da E.E.A.V. no tratamento de lesões cutâneas. A frequência da corrente deve ser de 100Hz para as primeiras sessões de terapia e no momento em que os primeiros sinais de regeneração aparecerem a frequência pode ser elevada para 150Hz. A polaridade nos eletrodos ativos deve ser inicialmente negativa e a cada três sessões de terapia deve ser transformada em positiva. Essa inversão de polaridade deve ser feita de maneira constante até que a lesão esteja totalmente cicatrizada. A polaridade negativa apresenta efeito antibactericida e a positiva é responsável pelo incremento da circulação local.
A intensidade de corrente para a regeneração cutânea dever ser de 100V a 150V e o tempo de terapia igual a 40 minutos. Os eletrodos ativos devem ser posicionados sobre a lesão e isso significa que todos os materiais utilizados durante a terapia incluindo os eletrodos, devem ser estéreis e quando necessário descartáveis. O eletrodo dispersivo deve ser posicionado a 20cm dos eletrodos ativos.
Normalmente os pacientes não sentem dor durante o procedimento. Pacientes portadores de lesões vasculares venosas apresentam maior desconforto mas não em função do tratamento e sim da própria característica da lesão e da disfunção venosa.
Abaixo, descreverei a etiologia exata de cada lesão apresentada pela respectiva fotografia. Apresento também, o posicionamento dos eletrodos ativos e dispersivos em dois casos distintos. A evolução dos tratamentos por meio da E.E.A.V. pode ser acompanhada em cada fotografia.
Fotografias 1 e 2:. paciente do sexo masculino, 38 anos, apresenta úlcera cutânea em membro inferior direito em decorrência de queimadura causada por queda de motocicleta. O paciente chegou para o tratamento 4 dias após o trauma. Durante o tratamento por meio da E.E.A.V., o paciente não realizou o uso de nenhum tipo de medicamento de uso tópico. O cuidado foi feito por meio de curativo com material estéril e limpeza por meio de solução fisiológica. Os parâmetros de tratamento utilizados foram os descritos acima para o cuidado de úlceras cutâneas crônicas. Pode-se notar que o tempo de regeneração das lesões foi inferior a 30 dias.
Fotografias 3 e 4:. paciente do sexo feminino, portadora de insuficiência venosa e úlceração cutânea, 67 anos. A lesão estava localizada no membro inferior esquerdo próxima a região maleolar. O tempo de lesão antes do início dos tratamentos por meio da E.E.A.V. era de 5 meses. A paciente não fazia uso de medicamento de uso tópico, apenas curativo com material estéril e limpeza por meio de solução fisiológica. O tempo aproximado de cicatrização foi de 47 dias. Os parâmetros de tratamento utilizados foram os descritos para o tratamento de úlceras cutâneas crônicas no texto acima.
Fotografias 5 e 6:. posicionamento dos eletrodos e dos membros inferiores de uma paciente portadora de úlcera cutânea crônica de origem arterial durante tratamento por meio da E.E.A.V. Note que os eletrodos foram posicionados diretamente acima da lesão. Note também, a interposição da gaze estéril entre a lesão e os eletrodos ativos. O eletrodo dispersivo foi posicionado na região posterior da perna da paciente. Para facilitar o fluxo sanguíneo e linfático o membro acometido foi elevado.
Fotografias 7 e 8:. Paciente, sexo feminino, 63 anos, portadora de insuficiência arterial e úlcera na região do maléolo lateral do membro inferior esquerdo. O tempo de lesão antes do tratamento era de 4 meses. A paciente não foi submetida a nenhum tipo de tratamento para a lesão e o cuidado foi feito por meio do curativo local e limpeza com solução fisiológica. O tempo de tratamento foi de aproximadamente 2 meses com redução significativa da área da lesão.
Fotografias 9 e 10:. Paciente, sexo masculino, 23 anos, apresentava lesão cutânea na região sacral em função de internação por longo período de tempo em decorrência de um traumatismo crânio encefálico. A fotografia 9 apresenta o posicionamento dos eletrodos ativo e dispersivo para o tratamento da lesão. A fotografia 10 apresenta as condições da lesão antes do início do tratamento. O tempo de lesão era de 6 meses antes do início do tratamento.
Fotografias 11 e 12:. A mesma lesão da fotografia10 após pouco mais de um mês do início do tratamento e ao final do período de tratamento, apresentando nessa situação a cicatrização completa. O tempo total para a regeneração da lesão foi de aproximadamente dois meses.
Torna-se importante ressaltarmos que a evolução satisfatória de cada lesão mantém relação direta com alguns fatores, como: idade, condições clínicas dos pacientes, alimentação, higiene e ausência de hábitos como tabagismo e consumo de bebidas alcólicas. Assim, os casos apresentados acima representam parte de um programa de cuidados de feridas de diferentes etiologias.
Para mais informações sobre o uso da Estimulação Elétrica de Alta Voltagem no tratamento de úlceras cutâneas crônicas e outras disfunções relacionadas à reabilitação física e estética entre em contato pelo e-mail: davini@ibramed.com.br